Terça-feira, Outubro 27

Relutância

(...)À noite, em sua contemplação infinita às estrelas, encontrou em olhos cor de mel, uma estrela cadente, carente de pedidos. E, sem poder resistir, retirou a máscara, as vestes, e fez da Lua, o lado constante de todas as estações, o seu escudo.

Naquele habitat de São Jorge, onde o homem se desarma na magia infinita de sua fases, procurou ser crescente, nascer com os outonos, desabrochar com a primavera, lapidar-se com o inverno, e, quando preciso, ultrapassar nuvens densas, dias nublados, feito a força do sol que não desiste, mesmo que a chuva caia.

Foi aí, que ela passou a permitir chegadas e fez de seu coração sua sala de estar, num arrebol de sentimentos e emoções.

Segunda-feira, Outubro 26

O conselheiro de si.

Ilustração por Luyse Costa.

"O tempo voa, vira fumaça, as vezes não parece, mas tudo passa..." (Dudu Falcão)

Conte segredos, confesse a confusão que se passa por dentro e a distância que tudo isto causa entre o ego e coração.

Não permita que entrem na sua vida para fazer você se perder em si, e deixar que ela se encarregue de te trazer de volta.

Viva o passo, as pegadas feitas pelos traçados dos pés que seguem em frente, sem esse medo de que o fim seja preciso, antes mesmo do início.

Seja fatigado de emoções, e, mesmo assim, ainda saiba viver só. Prefira a busca desse labirinto tedioso do que ter de ficar a esmo das decisões. Paixão não alimenta coração, nem há tempo definido para que o amor aconteça. Não deixe que subestimem o que tens a dizer .

Não adianta, (re)viver o passado já não trará os mesmos sentimentos, nem a espécie de amor que se acredita existir. Acredite no presente, no que se tem ao lado, tenha paciência com a irreverência do outro.

Descuido serve de lição, maneiras de não dizer, e despedidas dão imunidade ao coração, esta batalha também se vence em parceria com o tempo. Hoje, queira quem te quer, embora, na sua autosuficência seja difícil acreditar.

Tenha respostas na realidade, não precisa mais inventar, criar o que não existe para, quem sabe, conseguir o que quer. Agora o amor, de fato, existe.

Aquilo que passou, pquilo que passou,ato, existe. tem ao lado,o pela certeza que temos quando tudo passa, quando o outro se encontra, e a gente se assou. Descuido faz a gente pagar caro pela certeza que temos quando tudo passa, quando o outro se encontra, e a gente se perde.

A memória é um abismo, não queira acreditar nas lembranças para forjar saudade, afaste-as do seu cotidiano, livre-se da falta que ela faz.

Chegou a hora de pôr os acontecimentos em ordem cronologica. O presente é agora, o futuro vem mais adiante, e o passado a gente põe na primeira caixa vazia que se encontrar pela frente. De lá, selecione o que te faz bem, mas livre-se das promessas. O resto deixe trancado à sete chaves, se precisares abrir novamente, resgate apenas o que te fará feliz, e deixe novamente aquilo que não volta mais.

Sábado, Outubro 17

Pra não dizer que não falei da "flor"

Não procuro propósitos ou porquês, sei apenas que ela apareceu como ligeireza de vento que anuncia flores e destino. Permeado de sentidos, suas palavras me edificavam o coração, numa prosa lírica que me detinha os poros em sutileza.

Não teceria redes para escapes ou senões. Ele a tecia de cordões imaginários das vontades, dos desenhos do vento açoitando os cabelos dela no ar, feito vela, feito chamado de perdição.

A pele de cor mulata extraía a íntima relação da lua com o sol. Chamava-lhe atenção à tessitura de seus lábios, os olhos redondos feitos jabuticabas que comandavam sua retina pelo tino de suas certezas.

Ela tinha meridianos na boca, e mares secretos na saliva, e no seu corpo a erosão apenas esculpiu encostas e escarpas a serem escaladas. Sorria como quem acende mirantes e quando ele a viu meeira de rosas, soube que as rotas de todas as viagens poderiam se dar num único caminho.

A sensação daquela entrega se compunha de pétalas vermelhas, num breve, e mais lindo ramalhete a ser entregue numa manhã nua, crua de sensações. O sorriso não esperado, se tornava o portal de uma felicidade em nuvens, eternizado na memória daquele céu azul.

A manhã era nua, as pétalas exibiam sua nudez de língua desnecessária, e a dona, senhora do mundo, era nua sob a roupa, vazante da doma que sabia ter, em pelo, em poros, em aceiros de distância. Ela se sabia roubada, sob seus dedos, explorada sob seus olhos, percorrida sob sua imaginação, e todas as purezas e hóstias comungariam sob sua vinda e todas as indecências se acomodariam á sua falta.

Dueto com o Colunista e amigo Cesar Oliveira http://www.emporioletras.blogspot.com/ .

Domingo, Outubro 4

Querubim

Antes de você, dentro de mim, morava um anjo torto, de asa quebrada, sem aureola e carinha de boa vontade.

Este anjo, chamado saudade, tinha olhar distraído, contemplações instantâneas, faíscas nos olhos. Me cutucava dia e noite, e os seus pezinhos eram todos de lembranças. (Des) gostosas lembranças, memória incrédula, destituída de valores.

Com a sua chegada o anjo regenerou a asa quebrada, ficou com cara de bobo, olhar apaixonado, pezinhos na realidade, mãos de segurança, e me carrega no colo pra onde vai.

Este anjo, hoje, se chama certeza, de sobrenome felicidade, e tem certidão de nascimento registrada em vinte um de agosto de dois mil e nove.

Todos os dias, cheio de vontades, este anjo renasce mais ainda em mim.

Domingo, Setembro 20

Dilúvio

O fundamento deste sim é a junção do introspectivo com a profusão de atitudes expostas à pele. Na complacência deste corpo, e em suas extremidades, me reveste de pertinência o meu lado cálido, a perversidade do meu intimo aflorado entre os desejos pecaminosos e os diálogos inocentes, cheios de cuidado, sutiliza, formas extraordinárias de bem dizer por quanto se vive.

Na superstição, o branco é a cor da relva interior que reveste os pensamentos. Neste espírito em paz, o santuário do corpo estabelece a relação necessária às contradições versadas entre a carne e a alma.

Buscastes o eco de tuas decisões dentro de uma acústica imprópria. Dentro de ti mora uma única voz, onde o retorno do som chega com as tuas respostas. Quando se cala pra pensar, o ser é inundado por um nicho de palavras que se desvendam pelo corpo, e descobre-se que até mesmo o silêncio é enfeitado por análise sintática.

Não sei onde começar a calar, nem se quero, tenho vivido de maneira estridente, eu tomo goles de letras, e me embriago de frases. Depois, vêm a contextualização, a narrativa de muito esmero, residente da rua dos bobos, casa dos apaixonados, onde o número é zero.

A gente se apaixona neste sentido, acreditando ser o primeiro, o último, o único, buscando silêncio com respostas, e, inevitavelmente, fazemos mais perguntas que tudo. Ontem eu apenas descobri o meu Sim, e nele me vi em velocidade, renovada, intacta, em cores de uma única frase: Você é meu SIM, e isto está composto de sentimentos com sentido. No inverso do que nos move, a minha boca te ver e os meus olhos te beijam.

SIM, te peço, me faça em silêncio...

Sábado, Agosto 29

É, eu gosto de certezas.

Tu brincas de desvendar os meus segredos tornando-os confissão para os teus pensamentos na tentativa de entrar nas minhas palavras. E eu aqui, sem te dizer nada.
Não disse que seria de brincadeira todo o conto de fada que vivestes no teu imaginário supersticioso de fazer dar certo o que já começou completamente errado.
O corriqueiro de nossas conversas, de bem dizer sobre verdades impostas para nós dois revelam a condolência que existe em nossas mentiras. É engraçado, todos sabem, menos nós. Nós dois que somos a trama mais perfeita dessa situação pulverizamos nossos corações, e reduzimos o mesmo a abastarda resistência de não saber nos darmos com as próprias fraquezas.
É covardia banalizar o ego ao não dizer, embora, esteja completamente dito. Te encontro por aqui quando não quero, quando recordo do delito que cometestes contigo mesmo ao acreditar nesse jogo, tu fugidio, eu mestre de orgulho e interprete da solidão.
Nós entramos num acordo, me propusestes receber desprezo sem que eu realmente quisesse tê-lo, e desvendastes à minha criatura à força habitual que me move 360º. Eu não volto por descuido, nem por promessas, muitos menos pela habilidade que tens em mostrar a eminente bondade dos teus gestos. Eu gosto de certezas, eu prezo por verdades, e ainda que tenha de me dar com fatos, proposições, suposições para construir narrativas, no meu coração não se pode mais titubear.
Desde que eu descobri os efeitos colaterais da dúvida, eu opto por certezas, e isto têm me feito ser amante de mim mesma, intacta de pontos finais, ciente do que não comove mais.

Segunda-feira, Agosto 24

Sensitivo.

Um mundo de estrelas invisíveis onde à exatidão do brilho converge à busca do que é refletido na retina, na imagem consciente de que em teus olhos pulsa meu/teu coração.

Tenho medo do que sinto, do que faz girar, retomar o que antes estava estático, desacreditado, inconseqüente, querendo correr léguas dessa terra completamente desabitada.

Hoje eu acordei sentindo. Isto mesmo, como se um casulo estivesse prestas a ser rompido, e, pelo menos, mais uma vez, esse borboletário furta-cor viesse a me deixar meio boba, meio menina, menos sã das minhas tolas razões. E eis que eu sinto a vontade de dizer o que está à ponta da língua, e andar na ponta dos pés, como se tudo dentro de mim apenas levitasse.

Quando me devolvem o meu próprio lugar é onde eu consigo ser mais leve, onde o meu lado blasé se esvai pelos meus cinco sentidos e purificam meu coração com coisas marcadas, mãos, lábios, olhares e abraços. Eu sinto um encontro particular com uma esfera maciça de incertezas. Por aí, mais uma vez, eu me debruço e deixo que o mundo me engane primeiro, para que depois eu esqueça.

Vai ser assim, sem gravidade por dentro, com pés no chão, que darei asas ao coração, e se tudo ameaçar ser como era antes, eu volto pro meu nicho sagrado de silêncio, e refaço meus quilômetros, minhas frases, meu próprio convívio. Mas hoje, entenda: Eu apenas sinto.

Segunda-feira, Agosto 3

Largada de mim

Juras eternas e fatigadas. Precipício de certezas. Sonhos diurnos de vontade infundadas. Laço aberto. Nó desfeito. Peito largo. Coração miúdo.

Quem me trará a condição exata de viver entre sóbrios sacrifícios, relampejados nas autocobranças de me ter inteira?

Hoje me quero em partes, sem essa necessidade de desvencilhar os meus mistérios, de tecelar responsabilidades cotidianas que mostram o quanto a vida adulta é desgastante.

Quero o silêncio das estrelas bem dentro de mim, para que tudo brilhe,sem me ofuscar de confusão e incertezas. Borboletas não habitam mais meu estômago têm um tempo. Paixão é solidão desmontada, quebra-cabeça sem encaixe, a última peça foi pra fora da caixa ainda antes de ser fabricada.

Estar vazia, leve, sem ter o que pensar, habitada por lacunas, em reticências. Chega de pontos finais!

Pequenas palavras escondidas nas entraves da minha alma pra recompor as minhas forças. Tons claros e música.

Quero selecionar meus diamantes internos, ausentar-me dos planos pelo menos por um dia, fugir da ebulição dos meus pensamentos, sentar numa redoma de flores onde tudo me possa exalar amor.

Algumas horas de descanso de mim mesma, com aminésia para um Eu despedaçado em fatos e esgotado em emoção.

Quarta-feira, Julho 22

Férias forçadas!

Dias mágicos que se salvem, aliás que me salvem, porque têm sido bom demais pra ser verdade essa aventura instigante de nordeste e norte. Depois de três dias na estrada, conhecendo Fortaleza, Piauí e Maranhão, chego ao destino final que nada mais é do que Belém do Pará.
A cidade é quente, mas tem um jeitinho aconhegante que conquista a gente mesmo nesse sol escaldante de 35 graus!!!
Já visitei tudo que vocês imaginarem, além de outras tantas feitas e historinhas que só aqui mesmo pra acontecer. Sendo justo, um belo curso sobre direito ambiental...
Além das companheiras maravilhosas de viagem, nada poderia ser diferente, dia 28 retorno para casa e prometo escrever por aqui. No mais, só nos resta esperar a próxima parada, que agora terá direito a muito frio, Bariloche nos espera!
Beijos super para os meus leitores!

Quarta-feira, Julho 15

Sem cerimônia...

Vêm, corre aqui, senta aqui bem do meu lado e me fala um pouco da integridade da palavra amor, se é mesmo sentimento, loucura, de sua mensuração ou do descaso que ele causou em teu ego, a gente passa a vida procurar definição, agora me ensina... Diz um milhão de coisas sem sentido que eu vou achar bonito, vou querer te ensinar de novo o instante, o colapso nervoso, o frio na barriga, o veneno mais gostoso, os contornos sem precisão, as horas que não seguem... A tua roupa preta está bordada de arco-íris, o teu olhar transborda sorrisos, os teus sorrisos nos dão a visão. Quantas alegorias carregas em teu pescoço, brincas de circo, trapezista, mágico, até brincadeira de palhaço, macaco orangotango, leão. Ali, em cima do armário tem potes de afeição, um deles é teu, carrega, põe na mesa serve à tua casa, mas tenha paciência com a digestão... Digerir amor não é fácil, é preciso respeito, doses de perdão. Sabe, o amor tem dessas coisas, a gente atravessa os sentidos, põe rodinhas no coração e quer ultrapassar o tempo errado como se fosse certo. O amor é canto de pássaro encantado (ninguém vê, só ouve), é brincadeira de criança misturada com a maledicência de adulto. Não desvaira quem quer, quer sempre e depois desvaira. Ele escorrega, queima, faz dodói, cai, mas levanta. Amor que é amor levanta, dar a mão, insiste, acalma, abraça, conforta, briga, tem imperfeição. Não têm artigo, nem gênero, têm apenas verbo de ligação. Repete: Eu te amo, de novo... Eu te amo... Sujeito x Ação, amar é conjugado, é forte, é presunçoso em incorreções... Agora eu sinto, a frase existe e eu te digo de novo; o amor entrou em ação, sossega, resistir não é regra, se entregar é o primeiro passo da paixão, mas se você pediu amor respira fundo, abre as portas, ele vêm vindo...