Quarta-feira, Março 14

A poesia é um combustível para todos as situações. Ela nos desperta dos males da vida e por mais utópica que seja, humaniza sensações, nos aproxima do improvável da realidade através de suas palavras que aliviam dores, massageiam egos, desnudam paixões. É um recorte de palavras que nos proporcionam um elo afetivo com a tristeza e com a alegria. 


Eu costumo procurar por poesia em todos os momentos da minha vida. É um plantio constante, em que a colheita é diária e o resultado é sempre um pouco mais de fé, de ânimo, de coragem. Sem poesia o mundo seria muito mais complicado, a ternura já estaria em escassez e o amor não seria tão soberano o quanto é.

Poetas são garimpadores de sentimentos, construtores de palavras, engenheiros da paixão, são mestres do amor, da solidão, dos enamorados, médicos de receitas tópicas que nos apresentam soluções inesperadas, por mais adoecida que a nossa alma esteja.

Não sou poeta para os outros, mas para a minha alegria, que é construída a cada verso novo descoberto dentro, bem dentro do meu coração e de lugares que ainda nem sei.

Quando a poesia abraça a minha dor, eu sinto meu coração ser renovado. 

Domingo, Março 4





‎Um coração sufocado de lembranças e saudade costuma refletir dores por todas as partes do corpo.
O que não conseguimos entender é que metade desse 'luto', que precisa ser vivenciado, vem do comodismo das nossas relações, do não saber perder, de feridas não cicatrizadas, de um amor machucado. 
Não é somente o tempo que cura ausência, mas joelhos no chão e um conta gotas diário de vontade para REINICIAR. 
Conte com a família, com os amigos e com DEUS, são estes os principais elementos da nossa cura. E quando o novo AMOR chegar, você esquecerá tudo que já sofreu um dia.

Quarta-feira, Fevereiro 22

A obra da tristeza



Prevalece a nossa capacidade de reduzirmos o amor à nossa volta. Prevalece essa maneira temida de encarar o novo e conduzir com ele o infinito, a sonoridade da felicidade que habita espaços por tanto tempo.


Somos acostumados a nos darmos com a proeza da tristeza, não com sua “poiesis”, que significa saber que a sua obra vai além do prazer, ela está no reconhecimento instantâneo que apesar de nos agredir com suas pretensas, é capaz de nos ensinar infinitas cores. Eu somo o branco, o vermelho, o amarelo nos meus dias e ponho energia neles.

Somos fundadores de melancolia, perdemos inúmeras batalhas para o nosso sofrimento porque somos incapazes de criarmos vida nas perdas. A maioria de nós não fomos acostumados a perder, e condenamos a perda como um retrocesso da felicidade que nos abarcava, nos abraçava mesmo diante das faltas. Faltava tanta coisa, mas o apego era maior.

Acostumados a termos, esquecemos de quem somos. Queremos somar as nossas culpas no outro, justificar nossos erros no outro, identificar falhas no outro, que muitas vezes são nossas. Nos damos sentenças infundadas e nos afundamos na revolta e na vingança. O prazer não está na sua busca pela felicidade, mas o vê o outro ser infeliz.

Não somos aterrorizados pelo medo de estar sozinho, mas pela ausência de domínio e poder. Não somos mais amedrontados pela falta de amor, mas pela maneira física que a paixão rapidamente transformada em amor burlou etapas e nos trouxe comodismos, não felicidade.

Fomos largados na imaginação pontual de sermos vitimas do amor que não vem, do sossego que não se apresenta, da realização que não se aproxima. Esquecemos que a experiência é a principal maneira de nos fazer aprender com as dores, é preciso relevá-las, (re) significá-las para podermos nos apropriar da força, do novo e da comunhão que a vida nos oferece antes de tudo com a gente mesmo, depois com o outro.

Fui vitima de mim mesma por muito tempo, esquivei o agora com uma sentença injuriada de que as coisas deveriam ser amargas e notórias. Quando entendi que os prazos dos acontecimentos não dependiam apenas da continuidade da vida, mas dos meus esforços diários, passei a por os joelhos no chão e agradecer a proeza da dor, que apesar de ser amarga, me ajuda a fazer poesia e a querer ser cada vez um humano melhor.

Somos artesões das nossas sensações: a alegria molda o sorriso, a tristeza dá forma ao coração.



Terça-feira, Fevereiro 14

Novas formas

As pessoas podem e devem continuar sendo um desafio à ciência. Somos seres capazes de nos reinventar a qualquer momento, a qualquer maneira. Basta querermos aprender, e esta é uma capacidade peculiar que todos nós temos, cada qual à sua maneira, à sua limitação.


Não importa o quanto o outro desacredita na sua mudança, o que vale são as suas ações, o seu espírito de consciência que demanda maneiras novas de conduzir a vida.

O fraco vai perceber que você não mudou no seu primeiro deslize, o forte e verdadeiro vai observar os pequenos detalhes da sua mudança e vai torcer por você, por sua força de vontade.

Não acredito que as pessoas são seres estagnados, uma perda, uma ferida, uma cicatriz aberta, uma queda, um deslize, um erro pode muito bem nos ensinar uma maneira nova de sermos, e, com ela, aprendermos a estarmos.

Somos dotados de sabedoria. A leitura das nossas fraquezas, dos nossos erros começa com um exercício reflexivo do não repetir, do querer ser melhor. Se eu possuo uma ferida, por melhor cicatrizada que ela esteja eu vou cuidar para que ela não doa de novo, para que não tombe pelo horizonte errado e me faça sentir aversão das minhas escolhas.

Não há como quebrar o espírito, mas há como romper barreiras que nos impedem de sermos melhores, de nos aperfeiçoarmos na mesma espécie do eu que nasceu, cresceu e por mais tempo de vida que tenha, ainda pode mudar.

Se aprendermos a lapidar a nossa vida com amor, bons pensamentos e perseverança, nenhuma outra maneira há de nos dizer o contrário. Se você não acredita que as pessoas mudam, comece a entender que elas se aperfeiçoam, e, isto já é um pequeno passo para uma mudança em você.

Acredite no outro, por mais sujo que o mundo seja, sem expectativa e esperança, nós somos nulos.



Quarta-feira, Janeiro 18

O amor da vida

Vivemos num mundo onde ultrapassar o caos das relações afetivas é quase sempre um plano meio utópico, "invencível". Não enquadrar-se no perfil frio, fútil, do lema da quantidade (quanto mais, melhor) é estar fora do "normal", do padrão de parceiro que foi estereotipado sem os elementos que outrora eram extremamente necessários para construir uma relação: companheirismo, amor, lealdade, fidelidade, tolerância, flexibilidade, respeito.

Sou fruto dos anos oitenta, e embora as coisas já não fossem como no tempo dos meus avôs, ainda pude sonhar e desenhar nos papeis em branco da escola, a família que desde então desejei pra mim.

Não apenas almejei, mas sempre escrevi e entendi que o amor é um dos principais combustíveis que nos leva a ser uma pessoa do bem, ele ajuda a ser e a ter um pouco mais de paciência, principalmente, a apaziguar as dores, os sustos e a firmar princípios que nos norteiam pelo resto da vida.

Não tem outra, quando se tem amor, seja ele o tanto que for, a gente não se desvincula nem tão cedo do encantamento, do romantismo, do ideário do “conto de fadas” que é suspenso quando colocamos os pés no chão e aceitamos as pessoas como elas são.

Arrancaram a pulso o direito de acreditarmos em príncipes, princesas, castelos, sorrisos, felicidade, amor, porque a vida tornou-se dura demais, e, sendo assim, desejar e sonhar com uma história de amor com final feliz tornou-se alienação. Creio que ao pensar em conto de fadas, todos imaginam a perfeição, o encaixe perfeito que não te gera outra coisa que não seja a plenitude de uma realização.

Hoje, depois que a maturidade nos chega, não entendo mais assim. Os castelos transformaram-se em construções verticais, alguns parecem uma caixinha de fósforo, outros verdadeiros palácios suspensos, onde se abriga cada vez mais pessoas que mesmo um dia tendo sonhado com algum conto, hoje se depara com a realidade. Estes possuem coragem de construir passo a passo a preciosidade e a raridade de uma família que se une pela vontade de superar as dificuldades, e de mais à frente poder mostrar aos filhos como a vida não foi fácil, e mesmo que em algum momento tivessem enfraquecidos, juntos, tendo um ao outro conseguiram ultrapassar.
O melhor conto de amor da contemporaneidade é a tolerância, a flexibilidade que as pessoas aprendem a ter para construir uma família. Não é preciso apenas coragem, mas disposição para aprender a aceitar o outro da maneira que ele é, até mesmo em dias de caverna interior, pois somente dessa forma, somos capazes de descobrir os limites.

Continuo a acreditar que viver uma história de amor é não desistir fácil, é ter como exercício a lição de conquistar e ser melhor a cada dia, àquele que você escolheu para conviver e viver ao seu lado.

Vejo o amor dos meus avôs que completaram cinqüenta anos de casados, de alguns dos meus tios que se encaminham para isto, e não consigo visualizar perfeição, mas pessoas que se dispuseram a obedecer não somente aos seus parceiros, mas a escolha que fizeram, sem entender isto como submissão.

Viver a vida ao lado, seja em par ou coletivamente não é uma lição fácil. Temos que aprender a nos darmos com as falhas. Infelizmente fomos doutrinados a não aceitar o lado ruim das coisas com paciência e esforço, para a conveniência é muito melhor o que nos corresponde, excluindo sem paciência o que não nos convém.

Se tudo anda a correr certo demais, atentamos que há algo errado e o medo se instala se moldando de insegurança. Estamos catequizados de que é preciso não estar bem para estar tudo normal, e não é assim que as coisas devem acontecer.

Nos últimos tempos, joguei toda a minha descrença para acreditar no amor que vivo e aposto todos os dias. A humanidade dos gestos, a hora exata dos encontros, e os sorrisos da alma ressignificam meus espaços vazios.

Viver e acreditar no amor da minha vida também é exercício constante. Tento, muitas vezes, traduzir o que eu sinto, mas não consigo. As palavras que tanto me fazem bem se perdem entre sentimentos e não conseguem dar conta do que me rodeia quando estou ou não (fisicamente) ao lado dele. É mágico, é feliz, é pleno.

Dividir os meus sonhos me faz ter a segurança de um futuro melhor. Com este mundo torto, o que nos resta nessa vida é nos agarrarmos na certeza de termos alguém com quem a gente possa ter a leveza de ser o que é, a segurança de poder partilhar, ajudar e dividir o tempo que nos foi dado na terra.

Felicidade é pedra rara, preciosa, quando a encontramos não há dinheiro no mundo que pague. Por isto, todos os dias, tento polir com muito amor, a pedra preciosa que ganhei a fim de que ela possa permanecer ao meu lado, sem que a gente esqueça que são nas nossas fragilidades que precisaremos ainda mais um do outro. O perdão terá de fazer parte das nossas orações, como um mantra que nos une todas as vezes que chegarmos a pensar em desistir.

Ele ( assim como acreditamos) não é apenas o amor da minha vida, mas o amor da vida, aquela que foi me dada de presente, e eu desde o dia que te entreguei meu coração, decidi dividir sem medo!



Segunda-feira, Novembro 21

clichê


Queria conseguir entender o que aconteceu com o mundo sem precisar pensar em tantas coisas inúteis. Não consigo entender, as pessoas sofrem, amam, desamam, e parece que a quantidade virou o jogo para a qualidade em 9 x 1.

Como ter,ao menos, uma sútil esperança de que tudo pode dar certo, quando se acaba antes? Quando não há consideração, respeito e fidelidade até mesmo consigo? Não são as mulheres que sentem satisfação em serem carentes e mal amadas, não são os homens que alcolizam e se perdem demais nas farras, é o ser humano que tá amando errado, e acaba por cair no jogo da vingança, do atira pra todo lado.

Gostaria que tudo fosse acertado, que os ponteiros marcassem os compromissos sem tempo previsto de término, para que as pessoas sofressem e mendigassem menos amor e atenção.

O meu sonho é poder andar desarmada do orgulho, entregando meu coração com certeza, sem medo de voltar atrás e apenas ser feliz. Vê as pessoas me abrirem sorrisos, ao constatar que aquele "lance" de meses atrás, virou um romance lindo e recíproco.

Aprendizagem

As situações se repetem na nossa vida para nos mostrarem, que mesmo com todas as quedas, nós ainda somos capazes de cair no mesmo erro.

Nossas fragilidades não são tomadas como resistentes em seu todo. Nos sentimos enganados, magoados, tristes, insatisfeitos, embora, essa seja a décima, ou a milésima vez que os fatos se repetem.

É lógico que alguma coisa muda, talvez a maneira como enfrentamos, esquecemos. Uma lição quando repetida muitas vezes, nos faz aprender nem que seja uma única técnica, a de decorar.

Eu tenho decorado esses lemas, e o que tenho aprendido com o fato de dar oportunidades, é a forma de esquecer mais rápido e seguir em frente.

Meu orgulho tem uma tática, a de finalizar mais rápido o que provavelmente nunca iria acontecer.

Mas, o que ainda me choca, é a covardia do outro em nos despertar, e, de repente, desaparecer.

Sexta-feira, Novembro 18

Stricto Sensu


Andei por querer sondar o amor, e tudo que chegava à minha cabeça era confusão de sentidos.

Não sabia que rota seguir. Atropelei cogitações, desviei certezas, colidi com princípios e fiquei no sinal vermelho da indecisão.


Não atrevi ultrapassar o cansaço, não redimi as fraquezas e nem ousei dar oportunidade ao novo.

Desencorajei na primeira tentativa, por que a impressão que fica não se dispersa fácil. A desesperança que move o mundo moderno, deslocou-me para suas rédeas com tanto afinco que percebi a impossibilidade do permitir.

Parti para teoria. Fui buscar uma base que possibilitasse ter mais conhecimento teórico da paixão, do que prático e desgastante.

Tive vontade de relevar as marcas e revelar o curado, o sagrado, a felicidade arrebatadora que deixa o outro incomodado com o tamanho do sorriso que gira por dentro. O deleite do improviso que chega disfarçado de amizade.

Tenho recuado, resistido a não propor: cansaço. Coração retalhado, bem desfigurado, faz a gente aprender com as experiências, que a paixão tem apenas mestrado.

Já  o amor se bem edificado, maturado, aprende com a paciência, com o respeito e o silêncio, o que é ter um bom doutorado.

Eu ainda sou especialista, especialista de acasos!



Terça-feira, Novembro 15


 
Nada melhor do que você ter um caso com o acaso. Foi uma afirmativa passiva que aproveitei para apropriar-me. O momento é incisivo de decisões, certezas profanas e do lado sagrado, fé. De tal maneira, o ônus do momento é a não inspiração.
O ceticismo que transforma o romantismo em algo obsoleto, em desuso contínuo de faces concretas.
Eu aceito, vejo e permito aquilo que quero. Fuga é precaução. Estou acometida de lealdade, antes com o outro, hoje muito mais comigo.


 
Tenho ressignificado a minha vida com empenho e determinação. Como individuo, torno-me alguém que não apenas sonhei ser, mas que aprendi a construir com o saber estar e fazer.
Posso não saber quem ainda sou, mas sei o que quero, e isto é um bom caminho para quem busca a significação das coisas sem medo de ser feliz.
A plena vontade de ser um humano melhor, embora tão torta que eu seja, me garante uma tranquilidade de saber que eu posso, por mais difícil que seja.

A gente chega lá, acreditem!