Quarta-feira, Novembro 25

Labirinto

"Todas as paixões são vencíveis."

(Camilo Castelo Branco)

O vento que traz as respostas consome-se inquieto, perturbado com o sol que espreita sem deixá-lo repousar os olhos nas primeiras horas da manhã.

Levanta-se, e mais uma vez não sabe o que fazer, esquece de lembrar o nome, mas já tem decorado as letras e suas façanhas, formou-se a frase antes mesmo de colocar o pé direito no chão.

O frio na barriga é uma espécie de tortura aguda, o coração não mais bate, mas lateja na sofreguidão dos pequeninos minutos que se tornaram imensos para esta espera.

Mudar faz parte do roteiro imediato dos dias. Conquista, cavalheirismo, carinho, dedicação é uma espécie de combustível para que tudo se movimente por dentro. Embora esteja permeada no século XXI, ainda há um modo clichê e para tantos piegas de querer ouvir sobre o amor, sobre uma paixão desvairada que arranca tudo e joga fora sem dó nem piedade. Mas ela têm-se ido...

Não sendo assim os desejos se põe, as vontades perdem as cores e o infinito de certezas passa a ser o único ponto emergindo num espaço que nasceu entre dois corações, cada vez mais distantes, insensíveis, dispersos de nós.

Esperar tem sido o modo cinzento de afugentar as cores e não sentir nada, nem mesmo a afeição que existia no encontro intocável da solidão. Vai ver a covardia é a aliada da esperança, crer faz ainda ter uma pontinha de vontades principiantes.

Atenha-se, a impulsividade sempre fala mais alto, por isto cautela com o tempo, quem sabe ele não resolva mais uma vez.

Nesse labirinto pinchado de palavras que não traduzem absolutamente nada de exato para uma saída, sinto-me mais perdida que tudo, sem saber para que lado ir. A cada novo passo fica um pedaço pelo chão, por isto, na hora que chegar a tua vez, não terá mais jeito, abandonado por total de mim, não farás mais parte do corpo em retalhos que ocorrerá no encontro cheio de certezas, salvo e renovado para recomeçar.

Domingo, Novembro 15

Espaço aberto.

À espera imediata do teu sorriso- imprudente - de esmiuçar o que para ti não tem nada de sério.

Outras coisas simplórias me apetecem o juízo, causa dor de cotovelo, deixa-me às margens do lado bobo / infame de tua subordinação.

Faltou coragem ao dizer. Da força de minha força, extraía apenas o que aprendi com nossos fatos. Sim, tenho mágoas contornadas no lado de fora do coração, marcadas, embora, afagadas de esperança.

Lembro que contei para todos ao teu redor da felicidade inexistente de meus dias, e da estorinha do esquecimento do teu nome. Não havia sentimento onde só existia você.Era tirinha, cinismo, brincadeira e conto que não contei a ninguém que não fosse parte de mim.

Hoje o que falo são verdades, e ainda que queiras acreditar que tudo possa ser mentira, vivo num colorido mágico, onde me entrego cada dia inteira, para que não esqueça nenhuma parte de mim.

Não tenho o ego submerso nessa tua procura que poderia me deixar de peito lavado, ao contrário, se exalo carinho é por saber conduzir a tua inquietude de saber que não mais te pertenço, que a tua caixinha de vidro-onde bem me guardavas- foi quebrada pelo tempo, e assim, escapei.

Não te esquecer, afirmativa quase suspeita e inteligível para nós, não traduz que tens em mim lugar a parte à saudade. Te tenho em mim nas lembranças, no lado cinza das histórias de amor que acabam em lágrimas e nos faz aprender a apostarmos em nós mesmos, antes de mais alguém.

Quinta-feira, Novembro 12

LiterAR

Clarice não me deixa mentir

Saudade se pode matar

Vinícius em soneto entende

Amor quando vem é pra ficar.

Adélia me deixa em Prantos

Quintana em poesia compõe

Caio que de Abreu me invade

Machado em suas letras repõe.

Palavras que fazem emergir

Literatura sem pretensão

Poesia pra gente dormir

Prosa com afeição.

Quase fruto desses versos

Uma rosa que caiu

Primavera em meus versos

Bom pro nobre e servil.

Hora Eça é Queiroz

Brincadeira de Alencar

Guimarães que exala as rosas

Para Bilac Anunciar.

Para completar essa chama

Drummond vem a fitar

Meireles me estimula os olhos

Poesia me faz respirar.

Terça-feira, Outubro 27

Relutância

(...)À noite, em sua contemplação infinita às estrelas, encontrou em olhos cor de mel, uma estrela cadente, carente de pedidos. E, sem poder resistir, retirou a máscara, as vestes, e fez da Lua, o lado constante de todas as estações, o seu escudo.

Naquele habitat de São Jorge, onde o homem se desarma na magia infinita de sua fases, procurou ser crescente, nascer com os outonos, desabrochar com a primavera, lapidar-se com o inverno, e, quando preciso, ultrapassar nuvens densas, dias nublados, feito a força do sol que não desiste, mesmo que a chuva caia.

Foi aí, que ela passou a permitir chegadas e fez de seu coração sua sala de estar, num arrebol de sentimentos e emoções.

Segunda-feira, Outubro 26

O conselheiro de si.

Ilustração por Luyse Costa.

"O tempo voa, vira fumaça, as vezes não parece, mas tudo passa..." (Dudu Falcão)

Conte segredos, confesse a confusão que se passa por dentro e a distância que tudo isto causa entre o ego e coração.

Não permita que entrem na sua vida para fazer você se perder em si, e deixar que ela se encarregue de te trazer de volta.

Viva o passo, as pegadas feitas pelos traçados dos pés que seguem em frente, sem esse medo de que o fim seja preciso, antes mesmo do início.

Seja fatigado de emoções, e, mesmo assim, ainda saiba viver só. Prefira a busca desse labirinto tedioso do que ter de ficar a esmo das decisões. Paixão não alimenta coração, nem há tempo definido para que o amor aconteça. Não deixe que subestimem o que tens a dizer .

Não adianta, (re)viver o passado já não trará os mesmos sentimentos, nem a espécie de amor que se acredita existir. Acredite no presente, no que se tem ao lado, tenha paciência com a irreverência do outro.

Descuido serve de lição, maneiras de não dizer, e despedidas dão imunidade ao coração, esta batalha também se vence em parceria com o tempo. Hoje, queira quem te quer, embora, na sua autosuficência seja difícil acreditar.

Tenha respostas na realidade, não precisa mais inventar, criar o que não existe para, quem sabe, conseguir o que quer. Agora o amor, de fato, existe.

Aquilo que passou, pquilo que passou,ato, existe. tem ao lado,o pela certeza que temos quando tudo passa, quando o outro se encontra, e a gente se assou. Descuido faz a gente pagar caro pela certeza que temos quando tudo passa, quando o outro se encontra, e a gente se perde.

A memória é um abismo, não queira acreditar nas lembranças para forjar saudade, afaste-as do seu cotidiano, livre-se da falta que ela faz.

Chegou a hora de pôr os acontecimentos em ordem cronologica. O presente é agora, o futuro vem mais adiante, e o passado a gente põe na primeira caixa vazia que se encontrar pela frente. De lá, selecione o que te faz bem, mas livre-se das promessas. O resto deixe trancado à sete chaves, se precisares abrir novamente, resgate apenas o que te fará feliz, e deixe novamente aquilo que não volta mais.

Sábado, Outubro 17

Pra não dizer que não falei da "flor"

Não procuro propósitos ou porquês, sei apenas que ela apareceu como ligeireza de vento que anuncia flores e destino. Permeado de sentidos, suas palavras me edificavam o coração, numa prosa lírica que me detinha os poros em sutileza.

Não teceria redes para escapes ou senões. Ele a tecia de cordões imaginários das vontades, dos desenhos do vento açoitando os cabelos dela no ar, feito vela, feito chamado de perdição.

A pele de cor mulata extraía a íntima relação da lua com o sol. Chamava-lhe atenção à tessitura de seus lábios, os olhos redondos feitos jabuticabas que comandavam sua retina pelo tino de suas certezas.

Ela tinha meridianos na boca, e mares secretos na saliva, e no seu corpo a erosão apenas esculpiu encostas e escarpas a serem escaladas. Sorria como quem acende mirantes e quando ele a viu meeira de rosas, soube que as rotas de todas as viagens poderiam se dar num único caminho.

A sensação daquela entrega se compunha de pétalas vermelhas, num breve, e mais lindo ramalhete a ser entregue numa manhã nua, crua de sensações. O sorriso não esperado, se tornava o portal de uma felicidade em nuvens, eternizado na memória daquele céu azul.

A manhã era nua, as pétalas exibiam sua nudez de língua desnecessária, e a dona, senhora do mundo, era nua sob a roupa, vazante da doma que sabia ter, em pelo, em poros, em aceiros de distância. Ela se sabia roubada, sob seus dedos, explorada sob seus olhos, percorrida sob sua imaginação, e todas as purezas e hóstias comungariam sob sua vinda e todas as indecências se acomodariam á sua falta.

Dueto com o Colunista e amigo Cesar Oliveira http://www.emporioletras.blogspot.com/ .

Domingo, Outubro 4

Querubim

Antes de você, dentro de mim, morava um anjo torto, de asa quebrada, sem aureola e carinha de boa vontade.

Este anjo, chamado saudade, tinha olhar distraído, contemplações instantâneas, faíscas nos olhos. Me cutucava dia e noite, e os seus pezinhos eram todos de lembranças. (Des) gostosas lembranças, memória incrédula, destituída de valores.

Com a sua chegada o anjo regenerou a asa quebrada, ficou com cara de bobo, olhar apaixonado, pezinhos na realidade, mãos de segurança, e me carrega no colo pra onde vai.

Este anjo, hoje, se chama certeza, de sobrenome felicidade, e tem certidão de nascimento registrada em vinte um de agosto de dois mil e nove.

Todos os dias, cheio de vontades, este anjo renasce mais ainda em mim.

Domingo, Setembro 20

Dilúvio

O fundamento deste sim é a junção do introspectivo com a profusão de atitudes expostas à pele. Na complacência deste corpo, e em suas extremidades, me reveste de pertinência o meu lado cálido, a perversidade do meu intimo aflorado entre os desejos pecaminosos e os diálogos inocentes, cheios de cuidado, sutiliza, formas extraordinárias de bem dizer por quanto se vive.

Na superstição, o branco é a cor da relva interior que reveste os pensamentos. Neste espírito em paz, o santuário do corpo estabelece a relação necessária às contradições versadas entre a carne e a alma.

Buscastes o eco de tuas decisões dentro de uma acústica imprópria. Dentro de ti mora uma única voz, onde o retorno do som chega com as tuas respostas. Quando se cala pra pensar, o ser é inundado por um nicho de palavras que se desvendam pelo corpo, e descobre-se que até mesmo o silêncio é enfeitado por análise sintática.

Não sei onde começar a calar, nem se quero, tenho vivido de maneira estridente, eu tomo goles de letras, e me embriago de frases. Depois, vêm a contextualização, a narrativa de muito esmero, residente da rua dos bobos, casa dos apaixonados, onde o número é zero.

A gente se apaixona neste sentido, acreditando ser o primeiro, o último, o único, buscando silêncio com respostas, e, inevitavelmente, fazemos mais perguntas que tudo. Ontem eu apenas descobri o meu Sim, e nele me vi em velocidade, renovada, intacta, em cores de uma única frase: Você é meu SIM, e isto está composto de sentimentos com sentido. No inverso do que nos move, a minha boca te ver e os meus olhos te beijam.

SIM, te peço, me faça em silêncio...

Sábado, Agosto 29

É, eu gosto de certezas.

Tu brincas de desvendar os meus segredos tornando-os confissão para os teus pensamentos na tentativa de entrar nas minhas palavras. E eu aqui, sem te dizer nada.
Não disse que seria de brincadeira todo o conto de fada que vivestes no teu imaginário supersticioso de fazer dar certo o que já começou completamente errado.
O corriqueiro de nossas conversas, de bem dizer sobre verdades impostas para nós dois revelam a condolência que existe em nossas mentiras. É engraçado, todos sabem, menos nós. Nós dois que somos a trama mais perfeita dessa situação pulverizamos nossos corações, e reduzimos o mesmo a abastarda resistência de não saber nos darmos com as próprias fraquezas.
É covardia banalizar o ego ao não dizer, embora, esteja completamente dito. Te encontro por aqui quando não quero, quando recordo do delito que cometestes contigo mesmo ao acreditar nesse jogo, tu fugidio, eu mestre de orgulho e interprete da solidão.
Nós entramos num acordo, me propusestes receber desprezo sem que eu realmente quisesse tê-lo, e desvendastes à minha criatura à força habitual que me move 360º. Eu não volto por descuido, nem por promessas, muitos menos pela habilidade que tens em mostrar a eminente bondade dos teus gestos. Eu gosto de certezas, eu prezo por verdades, e ainda que tenha de me dar com fatos, proposições, suposições para construir narrativas, no meu coração não se pode mais titubear.
Desde que eu descobri os efeitos colaterais da dúvida, eu opto por certezas, e isto têm me feito ser amante de mim mesma, intacta de pontos finais, ciente do que não comove mais.

Segunda-feira, Agosto 24

Sensitivo.

Um mundo de estrelas invisíveis onde à exatidão do brilho converge à busca do que é refletido na retina, na imagem consciente de que em teus olhos pulsa meu/teu coração.

Tenho medo do que sinto, do que faz girar, retomar o que antes estava estático, desacreditado, inconseqüente, querendo correr léguas dessa terra completamente desabitada.

Hoje eu acordei sentindo. Isto mesmo, como se um casulo estivesse prestas a ser rompido, e, pelo menos, mais uma vez, esse borboletário furta-cor viesse a me deixar meio boba, meio menina, menos sã das minhas tolas razões. E eis que eu sinto a vontade de dizer o que está à ponta da língua, e andar na ponta dos pés, como se tudo dentro de mim apenas levitasse.

Quando me devolvem o meu próprio lugar é onde eu consigo ser mais leve, onde o meu lado blasé se esvai pelos meus cinco sentidos e purificam meu coração com coisas marcadas, mãos, lábios, olhares e abraços. Eu sinto um encontro particular com uma esfera maciça de incertezas. Por aí, mais uma vez, eu me debruço e deixo que o mundo me engane primeiro, para que depois eu esqueça.

Vai ser assim, sem gravidade por dentro, com pés no chão, que darei asas ao coração, e se tudo ameaçar ser como era antes, eu volto pro meu nicho sagrado de silêncio, e refaço meus quilômetros, minhas frases, meu próprio convívio. Mas hoje, entenda: Eu apenas sinto.